Rejeição: Sim, É Possível Dominá-la!
Quero compartilhar um pouco de minha percepção sobre a rejeição.
A rejeição é algo que toca, senão a todos, a muitos de nós em vários momentos de nossa vida.
Um sentimento que aparece por diversos motivos e se manifesta de diversas formas, como por exemplo: Violência, depressão, busca por vício, perfeccionismo, etc.
Espiritualmente falando, a rejeição tem sido uma poderosa arma nas mãos de satanás, pois satanás sabe como nós temos dificuldade de separarmos o que sentimos de quem de fato somos.
A palavra nos adverte a conhecermos os ARDÍS DE SATANÁS, ou seja, suas artimanhas e sua maneira de agir.
É como se através desta orientação Deus nos dissesse: “O inimigo é previsível. Para teu sucesso nas adversidades, basta conhecer seus planos, suas armas e como ele as usa”.
Como ministro, já conheci, aconselhei, ministrei muitas pessoas que sofriam com a rejeição, mas não antes de também ser aconselhado e ministrado por Deus e por pessoas também, e, destas experiências, quero colocar situações na qual você leitor possa se identificar recebendo a partir de então, uma visão talvez mais adequada desse quadro complexo de uma das maiores lutas da nossa alma.
Podemos identificar algumas situações que dão condições para este sentimento se instalar na vida de uma pessoa.
Um pai, mãe ou autoridade que lançam palavras depreciativas, como: “Você é um burro”, “Você não deveria ter nascido”, “Você não vai chegar a lugar nenhum”, ou até “Sua porca, nenhum homem vai querer se casar com alguém como você”.
Também outras situações como uma pessoa amada que trata com desprezo, vergonha pela má condição financeira, padrões de beleza, achar que é menos amado (a) que o irmão ou irmã, enfim, uma série de motivos.
É natural que todos os nossos sentimentos, sejam eles os nobres ou desprezíveis apareçam em nossa vida em momentos específicos.
O problema é quando estes prejudiciais sentimentos começam a ter peso determinante em nossa vida, quando começamos nos sujeitarmos a eles ao invés de dominá-los.
Quando isso ocorre somos por eles influenciados nas decisões, comportamentos, reações e definitivamente nos impede de nos sentirmos felizes e satisfeitos.
Sempre estamos aquém daquela sensação gostosa de um bem estar gratuito, aquele bem estar que nos permite dormir e descansar de verdade!
Vou falar de uma situação que ocorreu comigo.
Lembro-me que tinha cinco anos de idade quando fui morar com minha mãe, pois até então vivia com minha avó e meus pais já haviam se separado.
Minha mãe então foi estruturar sua vida e logo após veio me buscar pra viver com ela.
Nessa época, minha mãe havia estruturado sua vida num relacionamento com a pessoa que logo seria meu padrasto.
Quando cheguei, era tudo perfeito. Eu estava com a minha mãe, meu padrasto (que eu chamava carinhosamente de “Tio”) ele nos tratava bem, enfim, um lar feliz.
Feliz até que, literalmente da noite para o dia, ele (por razões que desconheço até hoje) passou me destratar da pior maneira que, pra mim pessoalmente alguém possa destratar outro alguém, me ignorando!
Ele simplesmente fingia que eu não existia.
Sabe aquela brincadeira que fazemos com as crianças, onde perguntamos: “Cadê fulano?” E a criança fica ali agarrando em nossas pernas, gritando: “EU TO AQUIIIIII!” E continuamos a ignorando, curtindo a brincadeira até que damos alívio para a criança e, enfim, “encontramos”?
Então, eu era ignorado, mas não era brincadeira.
Como meus tios e minha mãe brincavam assim comigo, lembro que a primeira vez que recebi seu desprezo, pensei que ele estivesse brincando, mas ele continuava olhando para o nada.
Levantou-se da cadeira em que estava sentado, saiu, e daí por diante além de me ignorar, quando estávamos longe de minha mãe e próximos de outras pessoas como seus patrões, donos do sítio, me desferia xingamentos dos mais humilhantes o possível.
Se ainda não tivemos o prazer de nos conhecermos pessoalmente ou se nem através de fotos você pode saber como sou, sou negro ou “afro descendente” para quem tiver medo de ser processado por racismo (risos).
Imagine você a sorte de xingamentos que ouvi e todos eles carregados de muito sarcasmo, zombaria e perceptivelmente cheio de uma ira inexplicável!
Nesta época morávamos em um sítio onde éramos os caseiros.
E como no primeiro ano estava tudo bem, assim como qualquer criança eu tinha feito daquela figura paterna meu ídolo, meu herói.
Lembro-me que eu queria desesperadamente ter um par de botas, pois ele usava botas. Também quis ter um chapéu de palha e tive, pois ele usava um. Tudo, exatamente tudo o que ele fazia representava muito pra mim, queria ser como ele e agradá-lo.
Eu passava tempos com uma corda na mão tentando laçar tocos, cachorro, galinha, porque queria que ele me visse laçando como ele. Tudo para agradá-lo.
Pelo destrato que descrevi pouco antes, você já deve ter percebido o tamanho da lacuna emocional gerada na minha alma, não?
Espaço o suficiente para a rejeição se instalar e dirigir minha vida. Infelizmente foi isso que aconteceu!
Desde então, minha vida girou em torno desse sentimento que se tornou uma espécie de filtro. Tudo passava por ele.
O problema?
Tudo o que é bom este sentimento esconde sobrando apenas a autocomiseração, e assim é com todos que passam por situações dessa natureza.
Nasceu em mim uma extrema necessidade de correr atrás de fechar eta lacuna na minh’alma que, no meu caso, era o desejo de ter um pai e agradá-lo e assim me sentir útil, aceito e amado.
Todos os que sofrem ou sofreram com a rejeição desenvolvem em algum momento da vida um anseio e este se manifesta de modo diferente de caso em caso, muda de pessoa para pessoa.
Esta necessidade gerou uma série de comportamentos altamente maléficos tanto para mim, quanto para os que se relacionavam comigo. Vou falar de modo geral sobre alguns sintomas que identifico como fruto deste sentimento e suas consequências.
1. Competição / Rivalidade:
Para o “rejeitado” todo próximo é um rival em potencial.
O rejeitado sempre está querendo fazer o “gol da virada”.
Ele sente uma profunda necessidade de ser de alguma forma o centro das atenções e se não conseguir ser o centro das atenções, tomar boa parte dela já um bom começo.
Se faz parte de uma equipe, é possível que não sonhe em ser o líder (pois para o rejeitado tudo é sempre muito penoso e inatingível), mas em ser o preferido do líder, SEMPRE!
Daí, a possível rixa e competição com os que deveriam ser apenas seus amigos e companheiros de ministério ou trabalho…
Esta pessoa é incapaz de elogiar seu companheiro sem colocar um “mas” na conversa, procurando sempre diminuir de alguma forma companheiro.
Ou, se ele ouve o elogio de terceiros sendo feito a alguém, ele possivelmente terá algo de si para falar com, no mínimo o mesmo peso de importância, pois não pode ficar para trás!
2. Sensação de Injustiça
O rejeitado sempre acha que tem alguém “ganhando” em cima dele, se sente sempre muito injustiçado, e, às vezes o é! Mas, as lentes da rejeição tornam uma injustiça em um martírio!
Ele sempre tem uma sensação constante de uso, como um escravo. E isso o faz julgar todas as decisões de sua liderança seja ela familiar ou profissional, pois para ele, no fim de tudo ele é a maior vítima daquela decisão.
3. Cabo de Guerra
Numa conversa, seja lá qual for o assunto, o rejeitado sempre quer ter a frase conclusiva. Não sabe conviver com o fato de alguém saber mais que ele, pois para o rejeitado isso sempre é pessoal, sempre o atinge indiretamente de modo direto!
Não sabe somente ouvir e no fim do assunto dizer apenas – Eu não havia pensado dessa forma… Concordo contigo! – tornando-se assim uma pessoa muito difícil de conviver ainda que seja uma amável pessoa.
4. Relacionamento Amoroso
Algumas pessoas se afundam num relacionamento amoroso completamente doentio e sem futuro algum, mas mesmo infeliz, tem medo tomar as rédeas, decidir se amar e pôr um ponto final no relacionamento. Teme ser abandonado (a), teme viver só, teme o futuro ainda que saiba não poder controlar de modo pleno nenhum segundo à sua frente.
Não consegue ceder a Deus e mesmo quando se rende sente extrema dificuldade em perceber Deus Pai no controle de tudo.
Citei apenas algumas situações, mas creio que lendo este artigo o Espírito Santo te mostrará se há evidências em ti da obra da rejeição.
Identificar se você tem problema com a rejeição e de que forma ela tem se manifestado em sua vida é fundamental para que o problema seja tratado.
Voltando ainda ao meu exemplo, no meu caso, agradar esta figura paterna era meu alvo. Isso me faria satisfeito como indivíduo.
Costumo comparar a vida de alguém que pena com a rejeição com a vida do que pena com o vício de entorpecentes.
Faz-se qualquer coisa para preencher o buraco que é gerado, até ser falso!
Aquele enorme buraco, aquela necessidade sem fim de reconhecimento, na ânsia de ser aceito eu dizia “sim” para tudo, não importando o quanto iria me custar aquilo e obviamente, o retorno que eu tinha daquele esforço nunca era o suficiente.
Então me sentia usado, um objeto apenas. Coisa que firmava ainda mais esse vazio, este sentimento tão ingrato.
Ninguém me conhecia de fato, nem eu mesmo, mas estava cego.
A rejeição cega e como se já não bastasse todas estas coisas ruins, fui me tornando perfeccionista.
Não me permitia errar (embora errasse 90% das vezes). Isso fez de mim por anos alguém totalmente inseguro. Não era capaz de tomar nenhuma decisão séria, pois um erro sempre aumentaria minha sentença neste desconfortável centro de detenção chamado rejeição.
Eu era infeliz!
Quando a pessoa é governada pela rejeição, nada a completa, nada a satisfaz e eu era assim. Isso me tornou infeliz.
Eu era uma casca de risos, mas quando estava só, todos os meus temores me assombravam, minhas dúvidas, enfim… Todos os meus conflitos me surravam a alma e muitas vezes eu chorava sozinho, ou, quando encontrava alguém de confiança reclamava muito DE TUDO!
Em minha vida, em todos os meus relacionamentos (pelo menos onde havia uma autoridade) eu vivia para descobrir o que agradava aquela pessoa e como eu faria tal coisa.
Não há problema nenhum em querer agradar um líder, um pai, um patrão… Pelo contrário, isso é honroso desde que agradar e/ou abençoar a autoridade sobre você seja o propósito final de suas atitudes e não para que a sua vida seja o objetivo final deste tipo de comportamento.
Todas estas coisas, uma a uma foram prejudicando meu relacionamento com Deus Pai!
Deus Pai se tornou para mim alguém impossível de agradar, pois se me era difícil ser satisfatório junto aos meus líderes (pelo menos para mim dentro dos meus critérios marcados pela rejeição), quanto mais ao Senhor sendo perfeito.
De fato vivi anos da minha vida sem ter Deus como alvo principal de meus agrados, pois era uma figura muito, mas muito distante como Pai.
Distante! Era assim que eu O enxergava por não ter vivenciado em toda minha vida de modo natural, ter um pai!
No final de tudo, eu percebi que precisa deixar Deus ser meu Pai de fato. Pois essa lacuna em minha’alma só seria preenchida pela paternidade de Deus, onde sou livre para ser filho, onde tenho onde lançar meus temores, onde meus erros são olhados com misericórdia e oportunidade de crescimento!
E você pode estar se perguntando “mas Marcão, como eu trato isso?”. Vou falar como fiz.
1º Reconheci:
Admiti que tinha o problema, que era sério e que precisava tratar no nível de seriedade constatada.
2º Abandonei a Autocomiseração:
Toda vez que um sentimento de tristeza, uso, injustiça tentava me tomar, eu me posicionava, orando, repreendendo setas, e avaliando friamente o sentimento.
Se me sentisse injustiçado (e de fato fosse, pois avaliando friamente sempre percebia que a injustiça era apenas um sentimento em mim e não algo real), mas trataria com a pessoa que eu achava estar sendo injusta.
Nada de pensar ou nutrir sentimentos mentirosos e vazios, muito menos edificar algo sobre eles!
3º Mudei Meus Hábitos:
Tendo percebido minhas reações a este sentimento, mudei de modo proporcionalmente inverso meu comportamento.
Ex: Se eu tivesse uma opinião sobre determinado assunto num diálogo, porém não fosse acrescentar nada além de um afago na alma, eu apenas ouvia ELOGIAVA e ponto final!
4° Jamais Ignoro a Rejeição:
A rejeição não é algo que se ignora.
Não é como aquela chateação que te ocorre no trânsito e que depois de cinco minutos o tempo apagou. Não, rejeição não se apaga com o tempo!
Uma medida de segurança que tomo é sempre ter minha rejeição em meu “campo visual”.
Olho a minha alma e sei onde ela está.
Imagine sua alma como uma longa estrada por onde você percorre grandes trajetos todos os dias, se relacionando, trabalhando, ouvindo, falando, rindo ou chorando.
Imagine a rejeição como buracos nesta estrada gerada por várias situações e “climas” da vida.
Esta é sua única estrada e enquanto estes “buracos” não são fechados você não pode ignorá-los, caso contrário cairá num deles e isso poderá gerar acidentes e existem acidentes que nos machucam muito. Alguns até matam!
Em tudo, observe se o que você está percebendo veio do filtro da rejeição. Se perceber que sim, filtre novamente pelo filtro da aceitação e da verdade de que você completamente capaz de vencer quaisquer dificuldades, sejam elas internas ou externas.
Aprenda a ouvir uma crítica sem rebatê-la na alma.
Receba e vá averiguar o quanto de verdade há no que ouviu.
Vai doer? Sim, claro que vai doer!
Mas será curador quando você perceber que a rejeição não o fez se sentir vítima, mas que você mesmo tentado a ceder ao antigo sentimento se assenhoreou de si mesmo e julgou de modo correto, coerente a situação.
Bem… Por estes exemplos e situações compartilhadas você pode se aconselhar com o Espírito Santo de como proceder, pois Ele te guiará a TODA VERDADE!
Eu teria muito que falar aqui e espero noutro momento tratar de mais coisas, mas creio que por enquanto, isso é material suficiente para você identificar coisas se houver, e o Espírito Santo trabalhar sua vida.
*Se o Espírito Santo te ministrou através desta palavra, nos deixe um comentário do que Deus falou contigo, pois nos serve de incentivo. Divulgue o blog para que outros também sejam edificados!
Conto com a tua divulgação!
*Havendo o desejo de nos ter em sua igreja realizando um seminário, entre em contato conosco. Teremos o grato prazer em atendê-los segundo a direção do Pai!
Graça e paz a todos em nome do Bom Pastor.
Em Cristo e pelo reino,
Marcão – Ministério Aos Pés do Amado
@aospesdoamado


Muito bom artigo Marcão … acredito que ajudará a muitos nesse caminho de cura! Mais uma ferramenta de restauração… grande abraço!
Marcão, acho que realmente essa revelação vem em um momento propício…realmente devemos ter nossos corações abertos para que o Senhor limpe e transforme cada vez mais. Quando estivermos dispostos a abrir nossos corações para que Deus coloque sua Luz nos cantos escuros de nossas vidas, poderemos viver a plenitude do evagelho de Jesus.
Que o Reino venha, e que estejamos dispostos a sermos moldados pelo Rei da Glória!
Acho que realmente o conhecimento pode fazer a pessoa mudar com relação a rejeição.E com conhecimento fica fácil compreender lados positivos da vida, e assim conseguir atrair mais pessoas.O conhecimento é a chave.
Um texto deveras muito edificante,creio que um dos pontos mais interessantes foi o fato de você se colocar como exemplo,é algo que a pessoa rejeitada precisa para admitir sua condição,se ver em alguém…ter um referencial…muitos pecam em tratar assuntos tão pessoais e que tenham relação a alma,de forma genérica e coletiva.Mas quando vemos algo que vem gerado do coração de Deus ,não existe o “receio de se expor”pelo contrário,é dessa forma que o Espírito Santo ministra muito além,do que imaginamos, e como diz hebreus 4:12,quando a palavra é de Deus,age como espada de dois gumes…fique na paz.muito boa essa palavra!